The only real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes, but in having new eyes. Marcel Proust


quarta-feira, 10 de julho de 2013

Haja Pereira

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"Em português Pereira é o nome da árvore donde se colhe peras. Os nomes de árvores são de origem judia, assim como em Itália o são os nomes de cidades. Com essa escolha quis render homenagem a um povo que deixou uma grande marca na civilização portuguesa e que sofreu muitas perseguições" Prefácio escrito por Antônio Tabucchi em seu livro Sostiene Pereira.

Em tempos difíceis de revolução e pacto contra ou a favor da Alemanha, Pereira é um jornalista alienado dos acontecimentos locais e mundiais. A ele só interessa preparar a coluna cultural do vespertino O Lisboa. Traduz contos de escritores franceses. Escreve biografias curtas de autores católicos e o obituário de autores para que se tenha um artigo pronto quando estes venham a morrer e que o jornal não seja pego de surpresa.

Pereira tem problemas de coração e alguns quilos a mais que o fazem sofrer com o calor e as subidas.

Certo dia ele decide que precisa de um ajudante para escrever os obituários e ao ler um artigo de um universitário sobre a morte liga para ele e vai ao seu encontro. Lá descobre que o jovem é um pobre coitado que copiou o texto de outros autores e pior está junto com sua namorada envolvido com a resistência espanhola. Mesmo assim Pereira decide tentar e pede que ele escreva o obituário de Mauriac, mas ele escreve o obituário de F.T. Marinetti, depois de Gabriele D`Annunzio e depois de Maikovisky todos autores desprezíveis ou impublicáveis em um país que bate continência a Hittler.
Marinetti por ser fascista, D`Annunzio por ser um  devasso e Maikovisky por ser marxista.

Pereira se preocupa com o jovem Rossi e sua namorada pois teme que sejam presos ou que algo de pior lhes acontece, mesmo sem publicar nada que Rossi lhe envia continua a dar dinheiro a ele do seu bolso.

Pereira não tem com quem conversar a não ser com o padre Antônio, amigo seu que diz que ele não tem pecados e só vai confessá-lo quando ele pecar; "Faça um pecado." Aconselha o padre. Além do padre, Pereira conheceu o doutor e psicólogo Cardoso em uma clínica de talassoterapia (tratamento terapêutico com água do mar e algas). O doutor Cardoso o incentiva a tomar uma posição menos alienada e mais atuante. E abandonar o passado e viver no presente, pois Pereira ainda conversa com o retrato da falecida esposa. Todavia, é o garçom Manuel que lhe mantém informado sobre as questões políticas.

Na tentativa de ser mais atuante, embora saiba que tudo é proibido, ele publica uma tradução de um conto que termina com a frase: " Viva a França." O conto retrata a luta contra os invasores e incita ao povo francês a resistir aos alemães. Apesar de haver a censura aos jornais o conto passa e é publicado causando mal estar. O diretor chama Pereira e lhe obriga a partir dali a lhe mostrar seus artigos antes de submete-los à publicação e diz que não quer mais saber de traduções de autores franceses. Sugere que ele publique autores portugueses. Pereira se vê diante de um problema: para ele não há nenhum autor português que esteja a altura dos franceses.

Por fim Rossi volta a Lisboa e lhe pede refúgio, mas já o seguiam e acabam por acha-lo em casa de Pereira. As coisas não se dão bem. Pereira escreve o obituário de Rossi e o faz ser publicado no jornal burlando a censura e o diretor ausente. Só lhe resta fugir para a França com um passaporte falso que Rossi lhe havia dado para esconder.
A música nada tem a ver com Pereira. Apenas a encontrei por acaso.


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