The only real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes, but in having new eyes. Marcel Proust


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Livro: Cartas de Ernest Hemingway vol 1

Quando comprei este livro numa ponta de estoque não vi que era apenas o primeiro volume. Fui procurar saber se a Martins Fontes havia publicado outro (os) volumes, não encontrei. Então ocorreu-me olhar na Betterwordbooks. Meu Deus! Tem quatro volumes. Não tenho muita esperança que os outros três sejam traduzidos e o preço em dólar está salgado. 

Ademais, a edição traduzida tem um excesso de notas explicativas em fonte minuscula. Quando digo minuscula quero dizer que estão ali só para encher paginas e paginas e não para serem lidas. Senão a editora teria tido mais consideração com o leitor. 

Esse primeiro volume compreende à infância, adolescência e o início da vida adulta onde ele vai para a guerra como correspondente de um jornal e acaba em Paris já casado. Vê-se que o pequeno Ernest tinha uma vida bastante ativa ajudando na propriedade dos pais, caçando e pescando enquanto o pai ainda estudava medicina em N.Y, Ele sendo o único homem da casa se sentia na obrigação de assumir as tarefas, mas não se privava do que mais gostava que era caçar e pescar. Já na escola seguia sua rotina de aluno, escrevia par ao jornal da escola e outros jornais da cidade e nas férias ia pescar por rios distantes com pelo menos um amigo. Ou ia para casa dos avós. Tinha muita liberdade e muito contato com a natureza. Hábitos que procurou manter ao longo da vida, seja caçando elefantes, pessoas ou pescando merlins. Se ele matou alguém não sei dizer. pois vai depender de ler os outros volumes. Mas que ele tinha intimidade com armas isso se percebe desde os oito anos. As cartas vão formando o caráter do autor e vamos conhecendo-o muito além dos livros que escreveu. Não li muito de Hemingway, portanto, depois de ler este volume pretendo retomar a leitura de algum dos seus títulos.




The Letters of Ernest Hemingway: Volume 2, 1923-1925

The Letters of Ernest Hemingway: Volume 3, 1926-1929 (The Cambridge Edition of the Letters of Ernest Hemingway)

The Letters of Ernest Hemingway  : Volume 4, 1929-1931 (The Cambridge Edition of the Letters of Ernest Hemingway)

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Por que alguns leem mais que outros?

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Cada um tem a sua rotina, mesmo as rotinas mais estritas permitem leituras. É claro que observar sua rotina e detectar o que vc. está fazendo quando não tem nada de trabalho ou estudo para fazer é importante.

Menos TV ou nada de TV, te devolve um tempo precioso que pode ser usado para ler, meditar, fazer exercícios, ir ao teatro, enfim, o que vc. acha que não está conseguindo fazer porque não tem tempo.

Ver séries também ocupa muito tempo livre. Muitas vezes noites à dentro.

Ouvir música em deslocamentos, seja no carro, no bus, no metro, ou a pé. Esse tempo pode ser usado para ler, para ouvir um audiobook, um podcast ou se atualizar sempre checando as informações.

Ouvir rádio também rouba bastante tempo.

Ficar jogando em games no celular ou em consoles pode até relaxar, mas é preciso limitar o tempo e saber parar.

E sobretudo a praga do WhatsUp que hipnotiza milhões de pessoas. E acho que o Instagram tb. tem seu papel.

Cada um tem seu ritmo de leitura, mas basicamente o tempo que todos tem é o mesmo, a exceção dos que não trabalham, ou não tem uma pouco atarefada. O que temos são espaços durante o dia que desprezamos com distrações vazias. Distrações que apenas preenchem o tempo até voltarmos a nossa atividade principal.


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Clubes de Leitura

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Clubes de leitura proliferam e até as editoras já entraram no esquema. Receber uma caixinha com um livro e brindes parece tentador. Tenho observado esse movimente. Tem de tudo. O que me chama a atenção é que no meio dessa leva um ou outro livro que ficou encalhado é sorrateiramente incluído. Acho ótimo que esses empresas comprem estoques das editoras e os façam circular. Livro não é para ficar em galpões e caixas fechadas. Há claro, toda uma repaginada visual em alguns títulos como um tratamento na capa, em geral dura, uma bela folha de guarda, ilustrações atraentes, folha de corte e lombada pintadas. São livros que chamam a atenção ou escondem um texto que não agradou tanto, mas pode ganhar uma nova chance com um público menos exigente. Ou não. Há críticas sim, mas há leitores e leitores e há livros para todos os estilos de gente. Uns gostam do visual mas não gostam do texto, outros gostam de tudo. Cada um lê com sua bagagem de mundo nas costas e na mente. Portanto esses clubes tendem a fazer sucesso, Embora os preços me pareçam salgados, mas para quem se propõe a ler um livro por mês é um investimento aceitável. Para quem lê mais de 100 livros por ano pesa no orçamento. E depois invariavelmente esses livros serão descartados, em algum momento nos sebos. Espero pacientemente para pescar alguns. 

terça-feira, 31 de julho de 2018

Livros de Cartas

Naquela vontade de ler cartas reli 84, Charing Cross Road da Helena Hanff. Achei uma edição em inglês na Betterworldbooks, porque não comprá-la. Comprei-a-a. Também achei uma edição em ponta de estoque das cartas de Ernest Hemingway. Também me interessou um livro de cartas da Hilda Hilst com Mora Fuentes.

Cartas aos pósteros: Correspondência de Hilda Hilst e Mora Fuentes por [Hilst, Hilda, Fuentes, Mora]

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Livro:Rudin

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Rudine de Ivan Turgueniev não é um dos seus livros mais conhecidos. O mais mais de Turgueniev é Pais e Filhos. Lembro de ter lido na adolescência e ter descoberto o termo que parece foi esse autor que citou e definiu pela primeira vez na literatura: Niilismo, o nada. Não crer em nada. Eu sei que deus existe para algumas pessoas, mas para mim é indiferente ele existir ou não. Muda a minha vida porquanto há pessoas que usam-se das premissas religiosas para limitar nossa liberdade, que se põe no lugar de sensoras, onde talvez nem deus estivesse, se fosse um ser de carne e osso. Ou quando o foi em Jesus não fez o que esses falsos profetas estão sempre pregando por ai.

Mas fiquemos com Rudine, o conversador profissional. Era habito nos salões de senhoras ricas ou viúvas haver essa figura de alguém que entretinha as conversas. 
Rudine aparece na casa de campo de Daria, uma viúva e vai conquistando-a com seu discurso. Ela se encanta com ele, mas sua filha também. Quando a filha toma a iniciativa de expressar seu sentimento descobre que Rudine não quer se comprometer com ninguém. Ela descobre que se apaixonou pelas ideias dele. Ele sabe que nada pode oferecer a ela, portanto, mesmo se entusiasmando num primeiro momento, logo lhe cai a fixa. Como quem diz: "Quem sou eu para me apaixonar por uma moça rica?" Ele, de fato, nada tem para oferecer. Nem bens, nem carreira, nem meios de se tornar rico. Ele só pertence aquele meio através das palavras, da conversa. Além disso seria uma ousadia inaceitável querer pertencer sem ter nascido burgues e rico.

Rudine se afasta e segue seu périplo pelo país. Somente no final se saberá que ele tem um gênio que põe todas as suas tentativas de sobrevivência a perder. Ele não se curva, não aceita ser contrariado. Ele se sabota sempre que alguma coisa parece ir pelo caminho do progresso. Ele não consegue ficar, se estabelecer, pertencer. 

Então, o autor lhe arranja um fim que dignifique sua vida. Um fim que justifique ele te-la desperdiçado em andanças sem propósito, em fugas de si mesmo e de todos. Um fim de heroísmo. 

domingo, 29 de julho de 2018

Leia o livro. Veja o filme: O conto de Aia

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O livro de Margaret Atwood é bem simples. Superficial. Todos os comentários e resenhas que vi me pareceram exagerados. Ou foram baseados na série ou foram pura invenção. Resenhar um livro pelo livro é o que se espera. 

Se vc. quer ver só a série, ok. A série vai acrescentar mais fatos e ressaltar os jogos psicológicos que no livro são sutis. A imagem ajuda bastante na composição da história. A imagem faz um grande serviço a esse livro que passaria despercebido não houvesse a série. 

Todas as discussões sobre gênero, feminismo, machismo, misoginia el all, advêm da série e não do livro. Se o livro tivesse esse poder ele o teria manifestado desde seu lançamento em1985.

Se optar apenas por ver a série no Halu, não irá perder muito deixando o livro de lado. Se optar pelo livro pode perder a magia da composição que a imagem produz. 

O site Halu é semelhante a Netflix. Vc. pode ver de graça por um mês e depois cancelar. Em um mês dá para ver a primeira temporada que é o que interesse. A continuação já será um plus a mais que não estará no livro.

A série é mais impactante. A revolta vem facilmente. No livro as construções são lentamente apresentadas. A resignação da narradora advém do seu treinamento bem eficaz. Ela acredita que sua função é divina. Mas aos poucos há um movimento entre algumas delas. É como se elas soubessem que estão num sistema, mas não tem como fugir dali. Então tentam se virar como podem para não perder a sanidade. Alguém vai tentar fugir e será punida. Alguém vai perder o contato com a realidade e deixar de ser útil aos propósitos.

De certa forma as mulheres são as mais prejudicadas. Parece que elas são castigadas justamente por serem mulheres e terem ousado serem independentes. Isso fica claro, É uma repressão a elas. Os homens dão um jeito de subverter as coisas. Para eles sempre será possível transgressões, como um clube de homens onde em algum momento mulheres serão  introduzidas no grupo. Essa cena me lembrou A Revolução dos Bichos, onde "a revolução" é uma farsa para a maioria sob submissão de alguns ditos lideres que, na verdade, se aproveitam do resto. Para eles nada ou quase nada mudou. Para os outros tudo muda e não há nenhuma concessão. A ideia de que todos devem se sacrificar por algum ideal, menos quem propõe os sacrifícios.

A vida enfadonha do lar. Aquele discurso de família que o conservadorismo insiste em empurrar por goela abaixo revela-se uma fraude. Os homens não são felizes com suas esposas caseiras e tediosas. "Não se pode trapacear com a natureza. A natureza exige variedade para os homens.", diz um dos personagens homem. Mas não há a possibilidade de as esposas fazerem o mesmo. Para elas só resta suportar.

É uma distopia? Em parte sim, mas também uma metáfora da realidade ainda presente. 

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Livro: O Que eu sempre quis dizer


Tudo o que Eu Sempre Quis Dizer, mas só Consegui Escrevendo
Estava na vibe de ler cartas. Esse livro é uma coletânea de artigos que a Maria Ribeiro escreveu para uma coluna no jornal. Também tem mensagens de Insta, entre outras. Gostei das referências musicais e aos filmes. Pareceu acolhedor, embora escorregadio em alguns temas.

O que me preocupou mais foi a repetida citação de um remédio para dormir.

Às vezes eu também tenho dificuldade de dormir, mas ai eu ligo a luz do abajur e leio um pouco. Às vezes tenho a sensação que vou perder o ar. Sento na cama e leio um livro. Às vezes tenho taquicardia devido a ansiedade, respiro e abro um livro. Me acalmo. Se não consigo dormir de qualquer jeito, fico acordada.

Nunca recorri a remédios porque é melhor andar cansada que viciar em remédios pra dormir. Eu, quando não consegui dormir essa semana, li esse livro da Maria Ribeiro e gostei, muito. Menos do hábito de tomar remédio pra dormir.

A impressão que me passou é que algumas pessoas só mantem o psiquiatra por tanto tempo para terem acesso ao psicotrópico. Mesmo podendo pagar, é como roubar no jogo.