The only real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes, but in having new eyes. Marcel Proust


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Uma experiencia atípica?

Nas peças de teatro que costumo ir geralmente há um equilíbrio na faixa etária da plateia. Alguns estudantes, alguns adultos e alguns idosos. Mas da última vez que fui a SP praticamente só haviam idosos. E um tipo de idoso que costumo ver na Sala São Paulo. Mais VIP ou que parece como tal, que gosta de ostentar, tomar espumante, desfilar plumas, paetês e smoking. Não sei se foi um fato isolado, porque a Sala SP estava fechada devido a greve dos funcionários, ou se é uma tendencia que se confirmará. Preciso voltar a SP para saber.

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O fato é que esse pessoal te olha de cima a baixo com quem diz: "O que essa pessoa de jeans e camiseta está fazendo entre nós, os imortais de Sampa?" Eu nem ligo. Sorrio ou sigo lendo meu livro. E obviamente observando de soslaio, pois,  observar é oficio obrigatório do escritor. 

Chamou-me a atenção também a presença do espumante e do vinho nos cafés dos teatros. Já faz algum tempo que frequento e ainda não tinha visto, mas agora todos os lugares que fui tinha, pelo menos o espumante. Uma taça 32,00. Algo como meia garrafa de um Chandon? Aquela pessoa que paga meia entrada e gasta três vezes mais no café do teatro me parece que poderia pagar a entrada inteira, não? Mas é idoso, tem direito. Que aproveite. 

Outro detalhe é que essa plateia vip acima dos 60 anos é ruidosa. Mal educada, pois não desligam o celular quando não atendem durante a peça. Conversam e comem durante o espetáculo. São pessoas que acham que porque chegaram até certa idade podem tudo. É o ápice da deseducação. Um mal exemplo simplório daqueles de quem se espera cortesia, simpatia, exemplo e vê-se o oposto. Fico a pensar com meus botões que não pretendo chegar a tal idade sendo assim.

Certamente, quem sempre foi educado, desde cedo, seguirá sendo educado para sempre. Esse tipo e educação não se esquece. Ou você tem ou não tem. Felizmente eu tenho.

Roteiro: Hirishima Mon Amour

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Queria ver o filme, mas não encontrei. Então li o roteiro. Parece que tem mais flashbacks que enredo. O enredo consiste no encontro de uma atriz francesa e um arquiteto japonês em Hiroshima. Ela está na cidade para gravar um filme sobre a paz. A maior parte do tempo eles passam na cama. Ela relembrando um namorado alemão que teve mas que foi impedida de ficar com ele. Os pais a trancavam no sótão para que ela não fugisse com ele. E depois ele foi morto, então ela foi libertada da prisão domiciliar. O encontro é também uma despedida. Ela ora quer ir, ora quer ficar, mas acaba voltando para a França.

Soube que foi censurado na época por causa de uma pretensa discriminação aos alemães.
Achei estranho não ter o filme disponível. O livro em sebos chega a custar 330,00. Mais estranho ainda. Mas não entendo o porque do boicote a esse texto e filme. Não tem nada demais. Quem sabe um dia encontre a resposta.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Livro: Aquela Confusão Louca na Via Merulana-Gadda


Não é atoa que Gadda foi catalogado na mesma estante de Don Quixote, não por escrever romances de cavalaria, mas por ser colecionador de palavras ou como alguns preferem classificá-lo: enciclopédico. Põe nesse estante o Borges também. Mas Gadda é de longe o mais mais dos três. Você até entende Don Quixote. O que cansa são as inúmeras histórias paralelas que atravessam o caminho do cavaleiro andante. Borges sem sua coleção de citações talvez ficasse pobre. Gadda não há o que por e nem o que tirar. Tudo está ali e vc. só se pergunta por que? 

A confusão que se passa na via Merulana é devido primeiro a um roubo e depois a uma morte. Ambos  eventos trazem muitos suspeitos, mas a polícia não consegue provar nada e o caso fica sem solução. Não há sequer pistas para que o leitor tente desvendar os mistérios por si só. 

Sabe aquele ambiente italiano onde todos falam ao mesmo tempo e você não entende nada. E esse o tom do livro. Vc. só entende que aquele povo é assim mesmo, que a polícia é assim mesmo, que os ladões são assim mesmo, que Roma é assim mesmo. Ou vc. aceita ou vc. não irá até o fim do livro e ir até o fim vai se tornando cada vez mais difícil. Mas como vc. espera que no fim todo esse imbróglio se resolva vc. vai empurrando-se para lá. Mesmo sabendo que não haverá recompensa, agora vc. sabe, vale apena não abandonar o livro. Fiquei muitas vezes tentada, mas ai apelei para a estratégia de ir lendo um pouco por dia e deu certo.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Água não tem galho

Quando fui morar em Floripa tive uma experiencia de quase afogamento. Foi na praia da Joaquina. Estava ali na beira da praia baiando. Quando vi a correnteza me puxou para perto das pedras. Eu não sabia nadar e quando percebi que meus pés não tocavam o chão fiquei sem chão. O que fazer. Eu queria gritar mas a voz não saia ou parecia tão fraca que ninguém escutaria. Havia pessoas em cima das pedras e surfistas esperando para remar até as ondas. Eu então mexi os braços como quem chama. Ao fazer esse gesto eu afundei. Quando afundei lembrei de mexer as pernas e então subi. Vi que alguém das pedras gritava: "Ela está se afogando. Ajuda ela." Foi o que me salvou. Um alerta das pedras e um surfista veio e me puxou até a praia. Não era um lugar muito fundo. Se tivesse me afogado teria sido no raso.

Quando vejo pessoas tecendo comentários sobre eventos de afogamento penso que é fácil fazer conjecturas de fora. Mas estar na situação é algo muito complicado. É raro algum leigo sem treinamento em resgate ficar calmo. A reação mais comum é ficar em estado de choque, ou seja sem reação. Você demora para pensar no que vai fazer, Mesmo sabendo o que tem que fazer. E essa demora pode ser fatal.

Na época eu não sabia o que fazer. Clique na imagem pra ampliar.

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domingo, 18 de setembro de 2016

A falsa meia entrada

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Às vezes me sinto enganada vendo que a maioria paga meia entrada nos eventos e eu pago inteira. Me sinto enganada por que sei que os preços são o dobro do real. Porque quem promove os eventos já sabe que vai ter mais gente pagando meia entrada que inteira. Então se uma peça custa 50,00 inteira, na verdade, a expectativa é de receber 25,00 e não 50,00. Quem não tem direito a falsa meia entrada acaba pagando em dobro. Há quem defenda a extinção da meia entrada. Ok, mas o que garante que não vão aumentar os valores? Eu preferia que todos pagassem o valor justo. Os idosos poderiam ter uma redução de 10% como acontece em muitos lugares. Ou mesmo isenção. Também deveria ter uma sessão por semana a preços reduzidos ou gratuita. Principalmente se o evento recebe dinheiro público. O que acontece na maioria deles.

Usufrui muito pouco da meia entrada na minha época de estudante, pois ainda não havia e quando passou a ter os locais se recusavam a aderir ou estipulavam dias da semana só para meia entrada no cinema. Em Floripa não havia muitas opções, além do cinema, e um ou outro show, teatro, que não eram frequentes.

Só me resta esperar mais 10 anos para me vingar. 

sábado, 17 de setembro de 2016

Livro:Laowai

Laowai-estrangeiro

Livro que relata o tempo que Sônia Bridi, marido Paulo Zero e o filho moraram na China. As muitas vivencias. As viagens para países vizinhos.

Sônia não tem papas na língua. O que é elogiável ela elogia. O que é criticável ela critica. Não sem compreender o choque cultural que  por o pé na China causará a qualquer ocidental. 

Os chineses são numerosos e tem dificuldades do tamanho do seu território e da sua população. Ela reconhece os esforços para mudar, mas percebe que essas mudanças não são para todos. Alguns enriquecem muito, outros trabalham muito. Alguns enriquecem antes, outros talvez tenham que esperar décadas para melhorar de vida. A vida é sempre muito difícil para quem sai da sua província para trabalhar deixando os filhos com os avós ou em internatos. 

Além disso há muitos chineses que, como em qualquer lugar do mundo, tentam e muitas vezes conseguem explorar os laowais cobrando beemm mais caro, passando-lhes a perna, ou enganando-os. Todo tipo de trapaça possível será tentada com estrangeiros. Isso não se resume aos chineses do povo. Pode ser alguém muito instruído, um funcionário público, qualquer um. É claro que eles são ávidos por dinheiro, porque lhes custa ganhar e ganha-se, em muitos casos, pouco. Mas certamente há chineses que agem corretamente. 

Caso vc. não lembre, muitos dos relatos do livro tornaram-se reportagens da Sônia para o Fantástico ou Globo Repórter. Podem ser revistas. Eu lembrei de algumas. Especialmente aquela entrevista com Dalai Lama e a reportagem com as senhoras que mutilavam os pés para ficarem pequenos, pois assim conseguiam os melhores casamentos.

Me diverti muito com as situações descritas. na maior parte do livro eu passei as gargalhadas. 
Acho que se Sônia falasse chinês fluentemente passaria a maior parte do tempo xingando os chineses.
Principalmente os do partido.


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Para quê serve a Bienal de Artes?

Esqueça a Bienal  de Artes de São Paulo e vá para a rua. A rua está cheia de arte. Paredes, muros, elevados. Para onde você olhar há arte muito mais interessante que na Bienal.

Instalação da 32 Bienal

Mural na Av. Brigadeiro

Mas se a Bienal não te agradar tem outras opções. Tem o MAM com uma expo dedicada à Clarice Lispector que se chama "O útero do mundo." Tem o Museu OCA, com uma expo de esculturas em lego.  Tem o Museus Afro Brasileiro com seu acervo permanente e expôs  adicionais. Além da imensidão do parque que pode ser usado para correr, andar de bike, andar de skate ou patins. Também tem o teatro do Ibirapuera. Enfim, há compensações por toda área.