The only real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes, but in having new eyes. Marcel Proust


quinta-feira, 18 de outubro de 2018

A Venezuela é uma ditadura necessária

As mentiras são usadas sistematicamente para desconstruir a verdade ou a falta dela. 
Uma das tantas mentiras é usar a situação da Venezuela como fonte de medo. Há muita desinformação sobre a Venezuela. Se levasse uma boa parte das pessoas que espalha mentiras sobre esse pais para um passeio por lá, eles iriam querer ficar na Venezuela ajudando as pessoas e se converteriam em chavistas convictos. 

A Venezuela tem mais democracia que o Brasil. Veja bem, se Chaves esteve e Maduro está no poder é por que eles foram escolhidos pela maioria. Eles não deram o golpe como o Temer e seus comparsas fizeram. 

O fato é que a direita e a extrema direita a serviço de países que querem roubar o único ativo que a Venezuela tem fazem de tudo para sabotar o pais e espalham mentiras sobre a situação da população, ajudados pela imprensa conivente de boa parte do mundo que ao invés de esclarecer apenas joga a opinião pública contra um país que vive sob um embargo semelhante ao que viveu durante décadas Cuba, que resistiu a todas a tentativas e não se curvou aos tiranos, 

Na Venezuela e em Cuba não foi e não será fácil dar o golpe de cordeiro que se deu no Brasil. Porque? Porque a polícia, o exército, as forças armadas e a justiça estão do lado do povo. Essas forças defendem a população e não as atacam ou sabotam como acontece hoje no Brasil. 

Se a Venezuela perder seu único ativo, pelo qual compra alimento e os distribuí à população, não haverá mais essa troca e a população mais pobre terá que imigrar em massa. A classe média que tem dinheiro guardado pode emigrar tranquilamente. Os ricos podem ir para onde quiserem, mas os mais pobres são os que mais sofrem. Ao invés de ajudar a Venezuela, cria-se com mentiras a ideia de que se está sustentando uma ditadura, quando na verdade há uma troca. Elas nos enviam petróleo e nós os enviamos produtos e comida. Nada é de graça. As empresas brasileiras só tem a ganhar. Mas os memes e os maliciosos nos fazem crer que estamos fazendo caridade ou sustentando vagabundos. 

Somos um país imenso e com muitos recursos. Não dependemos só do petróleo que já foi facilmente surrupiado pelos entreguistas. Nós podemos e devemos ajudar outras nações e quem não comunga desse pensamento está livre para ir embora ou se fechar num buraco e esperar a morte chegar.

A "ditadura" na Venezuela é um ato de resistência. É unica caminho possível enquanto não houver conciliação entre as forças de extrema direita. enquanto essas forças estiveram do lado dos interesses do estrangeiro predador. Não se pode esperar que se baixe a guarda e atenda esses que impõe o terror e miséria a todo um pais, porque só pensam em si mesmos e não no todo. São os mesmos de sempre. Atuam lá e cá da mesma forma. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Os odoradores de Hittler eram vagabundos

Se vc. tivesse estudado história ou pelo menos lido/visto alguns livros-filmes sobre o nazismo na Alemanha saberia como ele começou. Começou com alemães de classe média alta falidos e endividados. Gente que nunca trabalhou na vida e vivia do dinheiro dos pais e avós-vivia de herança ou de juros. Quando a farra acabou, eles recorreram aos agiotas. Judeus-contumazes poupadores lhes emprestaram dinheiro para que continuassem na farra. Quando por direito, lhes foram cobrar as dividas, estes não tinham como pagar, então tiveram que entregar joias, carros, casas, etc. A revolta dos riquinhos e filhinhos de papai foi crescendo. Eles começaram a espalhar que os judeus tiravam o emprego dos alemães. E essa "mentira" que sempre é usada contra imigrantes e refugiados, pegou no povo alemão como pólvora. A revolta e o ódio foi crescendo. Os jovens se engajaram nela e passaram a hostilizar, pichar, cuspir, dizer palavras de ameaça aos judeus. Então um militar se apresentou como o salvador da pátria. Ele ia livrar a Alemanha dos judeus e o resto da história já sabemos. A divida que os alemães não quiseram pagar, optando pelo extermínio, seus descendentes ainda a estão pagando. Moralmente e financeiramente.

Boa parte da elite/burguesia ou empresarial que apoia o Bolzo está na mesma situação que os alemães estavam. Endividada. Não paga impostos que deve e não quer pagar. Então esperam que um candidato como Color, FHC, Serra. Alckimin, Aécio e Bolzo perdoe suas dividas ou diminua os impostos a um patamar quase zero. Enquanto lucram com dinheiro investido. Muitos, senão todos tem dinheiro fora do país. Poderiam pagar os impostos que devem, mas não pagam e não querem pagar. Nesse patamar temos empresas bem conhecidas e uma musa que leva essa bandeira as ultimas consequências? Regina Duarte. A pessoa que já foi uma atriz importante, mas depois que casou com um agro predador perdeu o rumo da sensatez. Ele deve ter se endividado, e usado o nome dela nas tramoias e negociatas, mas ao invés de se revoltar contra o marido, ela se revolta contra o governo do PT. Típico.

É assim aqui na minha cidade. Tem milhares de empresários e agros que agem da mesma forma. São riquíssimos ou médios, mas não pagam imposto ou até pagam mas acham que é demais. A revolta é pelo menos imposto-mais dinheiro. Gente que não tem mais necessidade de nada nessa vida que o dinheiro possa comprar, mas quer mais e mais. Fome de dinheiro, é uma doença que precisa ser estudada. 

Vagabundos eram os alemães que colocaram Hittler no poder. Se eles trabalhassem, investissem no pais e gerassem empregos a Alemanha não teria porque se preocupar com os judeus. Mas eles queriam uma solução rápida e confortável. Tudo para eles nada para os outros. Os outros nem gente eram na cabeça deles.

Há muitas pessoas que pensam que os extermínio é a solução. Essa fantasia ainda povoa a mente de muita gente, princialmente de gente desequilibrada. É impossível exterminar bandidos apenas matando-os em massa. Primeiro porque eles atacariam a população e no final das contas não seria dois três civis que morreriam mas a maioria. Basta ver os sucessivos ataques promovidos por facções e os Brasil tem milhares delas.

Os preguiçosos sempre vão querer ir pelo caminho aparentemente mais fácil. Mas não é só preguiça é mal caratismo e ambição a todo custo que está em jogo.

Desqualificar o outro ou inverter os valores é uma estratégia deles. Como o delegado que naturaliza a suástica tatuada a canivete no corpo de uma mulher dizendo que não a a nazista mas a budista. O tipo de suástica pouco importa o que importa é que houve uma violação física forçada de uma mulher e isso não pode ser banalizado.


sábado, 13 de outubro de 2018

O marketing do ódio

O Novo Marketing Político, não é tão novo assim. Foi testado recentemente pela campanha de Trump. E deu certo. Replicado no Brasil também deu certo. Ele consiste em usar os pessoas que odeiam para ter acensão política. No caso do Brasil, o ódio ao PT e ao Lula foram o motor dessa ascensão. Bastava declarar-se apoiador do candidato do ódio que os votos voaram para o apoiador.

Assim tivemos varias surpresas. Um candidato de SC que estava em terceiro nas pesquisas declarou voto do Bozo e vai disputar o segundo turno com um militar do partido do Bozo. Algo tão improvável numa eleição sem essa onda de polarização. SC corre o risco de ter um ex policial como governador, assim como o Rio de ter um um ex juiz e tantos outros policiais e militares que se elegeram pelo Brasil a fora. E se vc. não sabe o que eles querem deveria saber.

Se serve de consolo alguns dos golpistas mais odiados não se elegeram. Mas por outro lado pessoas que mais investiram na propagação desse ódio foram eleitos e eleitas como: Janaína, Joyce, Frota, Kim, entre outros estarão em Brasília. Estes estarão a serviço dos que ficaram de fora.

Como sempre a região nordeste fez a sua parte. Mas o jogo ainda não está ganho. É grande o chance de o ódio vencer e levar o pais a um estado de depressão, de tristeza mesmo. Quem pode sair do Brasil talvez o faça, mas isso é para poucos. Alguns falam em guerra cívil. Acho pouco provável. Se as pessoas não reagiram a tudo de grave que aconteceu até agora, não vejo como um povo tão acomodado e passivo vá querer perder a paz e até mesmo a vida por seu país. Não haverão mais revoluções porque quando se criou a internet já estava previsto que ela seria esse catalizador das energias. Que tudo seria resolvido nela, e não no corpo a corpo. 

Gosto de quem se posiciona. Não tenho perfil em redes sociais por likes ou seguidores. 
Encolher-se é não honrar quem lutou antes de nós com perdas e sofrimento.
Andamos sobre cadáveres que são mais conhecidos pelo nome de petróleo e carvão. Sem estes mortos (plantas, animais e gente), milhões teriam perecido de fome e frio. A morte sustentou e sustenta este mundo desde sua origem. Nosso medo só vai nos preservar individualmente por um tempo, mas não vai nos livrar das consequências das nossas desculpas: "deixa pra lá", "tô nem aí", "não é comigo", "dane-se", "isso não me afeta". Mesmo quem é grupo alvo: negros, índios, mulheres feministas, gays deve ter mais cuidado e andar sempre em grupo para se proteger.

Cada um deve fazer o possível para reverter as mentes que pensam que votando em um ditador estão salvando o país. Apesar de ser difícil mudar uma mente que foi cooptada por memes e fake news.

Eu tento, com carinho mudar meus próximos e sou atacada por um ódio visceral. De forma que essa violência me afasta e me faz me sentir impotente, mas embora eu saiba que minhas tentativas são em vão eu sigo tentando. Se os próximos não mudam, há a possibilidade de abordar com carinho os desconhecidos e dialogar com eles. Mostrar-lhes o caminho do coletivo, coisa muito difícil de absorver pelos conservadores porque são profundamente classistas. 

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Livro: Os romances e as iscas de Virgínia Woolf

Virginia Woolf usa iscas em seus dois romances Mrs Dalloway e Ao Farol. O que vem a ser iscas?
Ela promete algo mas para ter acesso a essa promessa é preciso atravessar um mar de conjecturas, pensamentos e observações dos personagens.

Resultado de imagem para mrs dalloway livro

Em Mrs Dalloway a promessa é que a protagonista irá dar uma festa, mas a protagonista é a que menos aparece. enquanto ela se ocupa dos preparativos, comprando flores e costurando o vestido, o que acontece além dos seus domínios parece ser mais importante. O ex namorado Peter Walsch que a visita brevemente e é acompanhado pelo narrador pelas ruas de Londres. Um ex combatente de Guerra Septimus Warren Smith com sua esposa também tem seus dilemas descritos. Septimus está com um transtorno mental, sequela das atrocidades vivenciadas na guerra. Tem visões, ouve vozes, quer se matar. Aqui vemos um pouco da experiencia da própria autora que conviveu com os mesmos sintomas e acabou suicidando-se por afogamento no rio Ouse. 

Por fim a festa acontece mas Mrs Dalloway está tão ocupada recebendo os convidados que pouco aparece na narrativa. Novamente a lente do narrador se volta para Peter e uma outra convidada que falam sobre Clarissa Dalloway. Ela sabe de Septimus pela esposa do médico que o atendeu e considera que a atitude de Septimus foi correta, afinal não havia condições de cura e seu destino seria o isolamento em uma casa de repouso. Ela considera que ele tinha esse direito.

Muitas pessoas acham que ela pensou em se suicidar, (inclusive já vi resenhas falando isso) mas ela não pensou e nem o fez. Essa percepção pode vir do filme As Horas, que não é adaptado de Mrs Dalloway mas sim de outro livro homônimo. Ali, Mrs Dalloway é apenas uma personagem, assim como a própria Virginia e há outra Clarissa. É um filme muito bonito, mas é melhor ler Mrs Dalloway antes  de ver o filme.

Resultado de imagem para ao farol livro

Em ao Farol, a promessa, ou a isca é uma viagem de ida ao farol, mas que não se concretiza de imediato, porque alguns querem e outros não querem e porque mal tempo não permitirá. Para chegar ao farol uma longa viagem nos personagens deve ser feita Depois a ida ao farol já não importa mais. Os que queriam ir já não o querem e os que não queriam acham que é uma questão de honrar os mortos.

Se você como leitor se apegar as iscas da autora ficará frustrado. Elas são apenas um abertura, como numa sinfonia. Poderia estar ali ou não. É uma promessa, mas não precisa acreditar nela. O miolo do pão é mais importante que a casca.

Depois que ler os outros romances poderei dizer se esse efeito isca se repete também neles.


terça-feira, 2 de outubro de 2018

Livros de George Simenon

Resultado de imagem para george simenon box
Lidos

Maigret na escola
Liberty Bar
Maigret e os colegas americanos
Os escrúpulos de Maigret
O Quarto azul
A louca de Maigret
Maigret se defende
Os fantasmas do chapeleiro
Maigret sai de viagem
A Fúria de Maigret
Pietr, o letão
Maigret e o finado senhor Gallet
Maigret e o homem solitário
Maigret e os homens de bem
O crime na Holanda
Morte na alta sociedade
O crime do inspetor M.
Maigret e o corpo sem cabeça
Maigret e os gansters
O cão amarelo
Maigret no Picratts
A cabeça de um homem
Maigret e o cadáver desconhecido
O homem que vai passar os trens
Maigret
Maigret em Nova Iorque
A dançarina do cabaré
Maigret no tribunal
Maigret e seu morto
O caso Saint Fiacre
Maigret e o ladrão preguiçoso
A noite da encruzilhada
A primeira investigação
O mistério das jóias
O engano de Maigret
O revolver de Maigret
Maigret se diverte
Maigret tem medo
As testemunhas rebeldes
Maigret e o inspetor Cavader
Maigret e o mendigo
Maigret e o cliente de sábado
O amigo de infância de Maigret



sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Livro: Há quem prefira urtigas

Resultado de imagem para há quem prefira urtigas livroJunichiro Tanizaki publicou esse livro em 1928. Seus primeiros livros tem forte influência dos hábitos e costumes ocidentais. Há também a inserção de algum tema da cultura japonesa,como acontece com vários autores japoneses da mesma geração que Tanizaki. Mais tarde ele retomará personagens da história do Japão como tema central da narrativa.

O enredo trata de uma família composta por Kaname e Misako casados há 8 anos com um filho, Hiroshi. Um casamento ao que parece, arranjado. Após o nascimento do filho, Kaname não quer mais se relacionar com a esposa e a rejeita. Ela fica muito triste, mas depois de um tempo conhece Aso com quem passa a ter um relacionamento. Tudo com o consentimento do marido. 

Passam-se os anos e Misako pressiona o marido para que peça o divorcio, assim ela poderá se casar com o amante. Mas Kaname teme que o sogro não aceite, pois ele precisa autorizar o divórcio. Ele propõe a esposa que vivam juntos, como um casal, para evitar falatórios e para poupar o menino de uma separação. Ele propõe um acordo onde Misako e Aso, depois de dois anos devem decidir se vão se casar. Havendo esse compromisso ele irá oficializar a separação e eles ficarão livres para se casar. Caso não dê certo, ele se dispõe acolher Misako de volta na casa. Ele também tem uma amante e frequenta um bordel.

Longas páginas são dedicadas ao sogro. Um senhor de mais de 50 anos apaixonado pelo teatro de bonecos. O tradicional Bunkaru-Jôruri.

Ele vai aos teatros e percorre o país com sua jovem concubina para assistir às apresentações e festivais. Os bonecos tem a cabeça de madeira e um fenda horizontal na parte de trás por onde o bonequeiro põe a mão e os manipula. A história encenada é melodramática e em versos. O bonequeiro a canta acompanhado de instrumentos tradicionais, como: Kôto e Shamisen. Este é o elemento tradicional que intercala a narrativa.










Kaname participa de uma viagem com o sogro para ver os bonecos e se afeiçoa a eles. Ao voltar para casa ele escreve ao sogro solicitando a separação, mas o sogro resiste e acha que pode convence-los a mudar de ideia. A narrativa acaba sem que se saiba se a intervenção dele deu certo.

Muitas pessoas reclamam da verosimilhança nas histórias de Tanizaki. Que um marido levar uma relação de aparências e ainda por cima permitir que a esposa tenha um amante e ser amigo do cara parece pouco provável. Pode ser que na cultura ocidental seja mais raro de acontecer, mas não teria como dizer na cultura do Japão porque não conheço o ambiente familiar deles. Não há menção de que ano a história se passa. Pelo que pesquisei seria década de 20. 

Para mim o mais interessante foi o tema dos bonecos. 

Outro aspecto que o leitor costuma pontuar é a presença de temas relacionados ao voyeurismo ou descrições de sexo. Nessa história não há. Mas é comum esse tema nos autores japoneses. Imagino que seja pelo fato de essas histórias terem como destino final o leitor masculino. Ao contrario dos romances europeus e russos, onde o público dos folhetins era predominantemente as mulheres. No Japão provavelmente as mulheres não liam folhetins ou romances desse tipo. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Ebook: Oblomov



Oblomov requer ser descoberto, pois mesmo tendo sido traduzido para o Brasil, sua única versão está esgotada. Não se sabe quem ficou com os direitos de tradução que são ou eram da Cosac & Naify. Também não se sabe se há interesse em reeditar esse livro.

Há em torno dele um culto, mas não se aflija se você não encontrar esse edição, há outras: a edição lusa, as inúmeras edições em inglês (em domínio público) e espanhol. Para estes últimos há que se ler nos respectivos idiomas. Se não lê, espere.

Eu mesma só soube desse livro, que foi publicada 1859, de autoria do autor Ivan Gaoncharov, há pouco tempo. Não é seu filho único, mas o que mais fez sucesso, em parte por cair nas graças do maior crítico literário russo da época, Bielinski, que depois veio a ser seu amigo e já era de Turgueniev, amigo de ambos.

Goncharov navega na mesma escola de Turgueniev, o realismo pendendo para o naturalismo. O autor defende que a vida no campo é melhor que a vida na cidade. 

Oblomov é um senhor de terras, que as herdou do pai. Filho único foi excessivamente cuidado para que não se o perdessem. Típico de filhos únicos. Mas nesse caso não é déspota e nem baladeiro. Esse zelo que privou a criança das brincadeiras e o jovem das aventuras fez de Oblomov um adulto enfadado com a vida social, mundana e competitiva que o circundava.

Como funcionário publico, logo se cansou, e cometendo um erro, arranjou um atestado médico para justificar sua demissão. 

Quando o encontramos ele está prostrado na sua cama, imunda, o quarto não é limpo há meses. Seu criado, sob o qual perdeu a autoridade, lhe desdenha, e responde. Este pouco se importa em fazer seu dever, se chateando cada vez que é chamado pelo amo. É preguiçoso, irascível e não se dobra a ninguém, Zahar, além disso é estabanado e tudo que lhe cai na mão também cai ao chão. Apesar de servir o pai de Oblomov e ele há muitas décadas, Zahar nunca se deu ao trabalho de se corrigir e nem admite que o corrijam. O tempo dará a ele uma bela lição, mas mesmo assim ele preferirá seu fim do que se corrigir. 

Oblomov é o simbolo da Rússia que não quer nenhum contato com o moderno e com o ocidente que prefere ficar deitada na sua terra como ela é e protege-la do que abrir-se.

Andrei, filho de um imigrante alemão, e melhor amigo de Oblomov, representa o novo, o que anseia pelas mudanças, o que viaja e areja a mente. Aquele que recusa a servidão e faz ele mesmo o que precisa fazer. Enquanto Oblomov sempre teve alguém para lhe vestir, por as botas, pentear o cabelo e dar banho. Andrei apesar de ser nobre aprendeu a ser independente, ao estilo alemão da sua casa.

Oblomov recebe visitas de ex colegas da repartição. Eles o convidam para almoçar, jantar, passear, ir ao teatro, viajar, mas Oblomov recusa sob o argumento que ficará resfriado, doente e tantas outras desculpas. 

A renda das terras tem diminuído ano a ano. O administrador lhe escreve pedindo que vá a sua propriedade para tomar pé da situação e cobrar os mujiks que lhe devem, mas Oblomov não sabe nada de nada. Ele nunca trabalhou, nunca aprendeu nada, portanto ele se comporta como uma criança mimada. Os poucos que lhe apresentam alguma solução ele recusa porque se faz necessário sair do seu quarto e agir. 

O ócio de Oblomov preocupa Andrei, o filho do alemão. Ele teme que Oblomov que já está acima do peso venha a morrer por levar uma vida tão ociosa. 

Por um breve momento ele consegue tirar Oblomov de casa sob a promessa dele não se deitar, exceto para dormir à noite. Ele desafia sua amiga Olga, uma jovem de 20 anos, a dar um jeito em Oblomov. Ele providencia para que ambos se encontrem por acaso no parque e a partir dai desenvolve-se um processo de encantamento-arrependimento-sofrimento de ambos, pois Olga consegue sim tirar Oblomov do ócio, mas o custo é que ele se apaixona por ela e ela se apaixona por ele. Ambos negam esse sentimento pois veem-se estranhos nessa relação. Oblomov tem mais de 40 anos e Olga é uma menina. Mesmo assim eles sonham com um casamento que tem obstáculos. Oblomov não tem onde morar e não tem como sustentar uma esposa e os filhos que virão, Ele se aflige vendo seu sonho cada vez mais impossível. Olga desiste de Oblomov porque percebe que ele nunca mudará. Que ele não quer ser diferente, fazer as coisas que precisa fazer por si mesmo. Que ele é incapaz de tomar decisões e de agir. Ele sempre vai depender de alguém fazendo as coisas para ele.

A dor da separação deixa Oblomov deprimido por um ano e Olga vai para Paris para esquecer a sua tristeza.

Andrei acaba encontrando Olga em Paris e depois de seis meses de encontros e passeios ele se vê apaixonado por ela. Então ele pede ela em casamento.

Andrei volta a São Petesburgo e resolve os problemas de Oblomov. Retira o administrador que o estava lesando. Arrenda ele mesmo as terras. Afasta Tarantiev e o irmão de Agafia que estavam tirando todo o dinheiro da renda das terras, mas ainda não fala sobre ter pedido Olga em Casamento.

A vida de Oblomov segue pacificamente. Ele e Agafia e um filho, mas o sedentarismo de Oblomov cobra sua conta e ele vai ter um avc. Fica com uma perna paralisada, mas com os cuidados de Agafia e dos filhos dela ele vai se recuperando. Andrei não gosta dessa relação por uma questão social, Agafia está abaixo de Oblomov, um senhor de terras, mas ela é a mulher certa para ele. 

Outros avcs irão acontecer até que Oblomov venha a partir deixando Agafia inconsolável. Para Andrei que não imaginava que alguém pudesse amar Oblomov, eis que duas mulheres de condições sociais e intelectual diferentes não só o amaram como sofreram sua perda. 

Oblomov pode ser um bebê grande que não sabe fazer nada sozinho, sem iniciativa e preguiçoso ou manhoso. Ele quer ser servido porque foi assim desde seus ancestrais e para ele é assim que deve ser, Mesmo que ele tente mudar e adotar o estilo ocidental, ele no fundo não quer perder os privilégios do habito adquirido. 

Zahar, seu criado de quarto, este mais oblomoviano que o patrão também tem oportunidades de mudar e não quer, mas a ele o autor reserva a rua e manigancia, pois não se pode insistir no erro.