Não sei se invejo as pessoas que ganham livros e até dinheiro para escrever resenhas favoráveis e suscitar a curiosidade e a vontade das pessoas em adquirir o livro que resenham. O fato das editoras lançarem mão desse artificio desdenhado por alguns puristas não me espanta nem me cabe julgar. Editoras visam lucro e seu produto é o livro. Então não vejo porque estão por ai alguns a chorar as pitangas. Só pode ser pelo fato de não serem eles os beneficiados com as pitangas.
Eu que não recorro à editoras para ter livros e nem sou paga quando escrevo sobre eles não me intrometerei nesse assunto. Ademais, ser escritor antes de tudo pressupõe ser um bom leitor e mais, um bom observador. Muitos escritores por necessidade e para poderem se dedicar a escrita fizeram e fazem resenhas para editoras, traduzem livros, contos, poesias e tudo mais que lhes pague o aluguel ou a comida.
Não deve ser o caso dos "blogueiros-resenheiros", porém, une-se ao prazer de ler o ofício informal de dizer que tudo é lindo e maravilhosa nas páginas lidas. Não me parece uma troca injusta.
Como escritora não gosto de falar mal de quem escreveu, mas como leitora me reservo o direito de apontar algumas impressões. Uma pequena liberdade há que se ter.
Depois de anos a ler Ulysses de James Joyce, pessoalmente, concluí que em nada me faltaria não tê-lo lido. Dizer isso poderia atrapalhar a intensão de novos leitores? Não creio, pois cada um tem seu modo pessoal de ler e pode perfeitamente achar em Ulysses algum interesse. Eu mesma ainda posso mudar de ideia.
Houve vezes que descobri novos escritores lendo resenhas e talvez nem me interessasse por um autor tal se não tivesse lido tal resenha. Livros são artigos caros para se comprar sem saber nada sobre seu conteúdo. Se vc. pode emprestar é outra coisa. Mas investir em livros que não serão lidos ou livros que serão condenados a categoria dos começados e abandonados pode custar caro.
Costumo, como já disse algumas vezes, concentrar-me nos clássicos, onde a chance de erro é menor, mas não acho que essa regra funcione para todas as gerações. O que é clássico para quem nasceu em 2004? Harry Potter? Se esse mesmo leitor se interessar por Dante, ótimo, mas não tem nenhuma obrigação de ir nessa direção, pois tem muitos outros livros que ele quererá ler antes de voltar para um passado tão remoto.
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