The Bell Jar (A Redoma de Vidro) é o único romance ou novela publicado pouco antes de Sylvia Plath morrer. Este livro esteve por muitos anos fora de catalogo no Brasil. Não sei se ainda está, mas imagino que por descrever alguns detalhes de suicídio talvez não o queiram editar supondo que poderia dar ideias às pessoas. Os sebos o vendem por valores absurdos. O que me faz crer que a tática seja a mesma. Comecei a ler em inglês e segui no português.
Quem já leu biografias da autora não terá dificuldade em perceber que esse livro não é uma ficção.
Dizer que é um romance quando na verdade é uma autobiografia é meio enganoso. Ela apenas trocou os nomes das pessoas envolvidas e mudou alguns poucos detalhes.
Ninguém entende muito bem porque Sylvia Plath fala tanto do holocausto ou na causa judia seja nos poemas ou no seu único romance. O pai era polonês, luterano, depois ateu. Imigrou para os Estados Unidos quando criança. A mãe era austríaca, católica- unitarista. O pai morreu quando ela tinha nove anos. Não me parece que ela tenha ouvido tanta falação sobre a guerra e suas atrocidades na sua pouca convivência com o pai. Provável que esse tema tenha vindo de empréstimo de outra poeta, Anne Sexton, a qual Plath admirava, inspirava-se e imitava. Ambas tem um poema com o mesmo nome e temática: "Daddy"
Contudo ela inicia A Redoma de Vidro com um fato que lhe impressionou muito. A eletrocussão do casal Rosenberg. Talvez esse fato tenha lhe impactado tanto por ela mesma ter passado pela experiência de ser submetida a choques elétricos em clínicas psiquiátricas.
" A ideia de ser eletrocutada me deixava aflita... não parava de me perguntar como seria ser queimada viva por toda a extensão dos seus nervos. Acredito que seria a pior coisa nesse mundo."
Sylvia trata do evento dos Rosenberg como algo comparado ao 11 de Setembro.
Os primeiros capítulos que se passam em Nova Iorque e tem flashbacks aos tempos de alojamento na faculdade e os primeiros contatos com os homens. São até bem engraçados. Me vi rindo várias vezes das caipirices ingênuas de Esther.
Até o capitulo nove Esther está aparentemente bem, mas aos poucos ela vai ficando estranha, lenta, embora consciente, ela não consegue mais dormir, comer, ler Finnegans Wake de James Joyce. Também não consegue escrever e as ideias de suicídio prevalecem em sua mente. Ela lê tudo que acha em livros de psicologia e descobre que seu caso não tem solução. Conclui que é melhor morrer que ficar vegetando em um hospital e gastando o já escasso dinheiro da mãe. Ela analisa minuciosamente todas as formas possíveis de se matar até optar pelas pílulas de dormir da mãe. É encontrada em um matagal desfalecida e levada a um hospital. Sua mãe escreve para uma escritora famosa que já havia lhe ajudado na ida a Nova Iorque e ela é transferida para uma clínica melhor.
Depois de seis meses ela terá alta e voltará para sua faculdade formando-se com louvor.
Sendo assim evite ler Finnegans Wake, vc. pode ter surto e não ter a mesma sorte que Esther teve.
Não é um livro que eu recomendaria para pessoas deprimidas. Então melhor evitar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário