The only real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes, but in having new eyes. Marcel Proust


terça-feira, 16 de julho de 2013

Quantas cabeças mandam no mundo?

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O livro de Carlos Fuentes me surpreendeu pois não esperava que fosse uma história tipo thriller policial. Embora lento no início, quando a ação começa não para mais. As ações vão se desencadeando e se revelando mostrando que tudo está conectado à ação. Mas ao mesmo tempo o jogo de revelações é contraditório. Sempre há que se esperar que aparece mais alguém para dar uma outra versão dos fatos para confundir Félix Maldonado e também para nos confundir. Em quem acreditar? Melhor não acreditar em ninguém. É apenas uma história.

Félix é um funcionário de um ministério mexicano. É recrutado por um misterioso líder que se comunica com ele usando como código citações de peças de Shakespeare. Toda a broma envolve a disputa pelo petróleo mexicano, que segundo o narrador, é o mais extenso na América Latina. O livro é de 1973. Por trás daqueles que querem levar vantagens e pôr a mão nos milhões dos petrodólares estão os judeus e os Árabes. Longas discussões sobre quem financiou o holocausto e quem financia a interminável guerra entre judeus e palestinos.

O que interessava a organização da qual Félix era espião era manter o petróleo mexicano sob o controle apenas do país e não permitir que empresas estrangeiras se instalassem no México. Félix pertencia a uma organização nacionalista.

Parece que no mundo real isso não aconteceu.

A eletrizante vida de Félix Maldonado, suas aventuras e desventuras nessa história onde tudo se conecta e se explica nos faz não querer parar de ler. La Cabeça de la Hidra. Tem edições em português nos sebos.

O poder tem muitos braços e muitas mentes controlando o mundo. Por certo que seis anos de holocausto não seriam suportados apenas com o espólio dos judeus. Muito dinheiro foi investido nesse "projeto de extermínio", assim como continua a ser no "projeto de limpeza" na zona entre Palestina.

Fuentes denuncia as ações de governos interessados nas riquezas de países que tenham largas reservas de petróleo. Nada novo. A partir do momento que o Brasil anunciou a descoberta e exploração de petróleo no pré-sal o interesse em saber onde e quanto essas riquezas gerariam e com quem ficariam tornou-se obsessão da espionagem internacional. Somos vigiados não porque algum terrorista pode estar circulando por aqui, mas porque temos poder de superar potências que já não tem mais petróleo em seu território.

Fuentes denunciava a possibilidade do petróleo mexicano ficar nas mãos de estrangeiros. Da interferência de agências de espionagem na economia de um país. Ele não se enganou.
Assim como as riquezas do império asteca foram entregues por um asteca-traidor aos espanhóis, o petróleo, a última riqueza remanescente, acabaria cedo ou tarde sendo explorado por companhias estrangeiras. Assim sugere ou concluí a história da Cabeça da Hidra.

No fim Félix acorda de um pesadelo ou de um sonho e a vida continua no ponto em que parou quando ele se dirigia para um encontro com o presidente da república. Não há menção que ele tenha tido um sonho, mas mesmo na dúvida o truque do sonho e do delírio é batido. Joga-se tudo no ventilador e no fim apela-se para o argumento de foi um sonho ou como nós costumamos fazer quando dizemos umas verdades e nosso interlocutor reage mal: "brincadeirinha."

Félix tenta ser uma espécie de Snowden, mas é confundido de todas as formas que já nem sabe quem é.

A hidra quando tem uma de suas muitas cabeças cortadas, as regenera. Mas mesmo ela um dia acabará.

Quando acabar o petróleo no mundo outros recursos serão eleitos para barganhar. Por ora se vira quem tem uma bomba atômica, terroristas e petróleo. São as garantias de poder. São as cabeças da hidra.

Carlos Fuentes foi filho de embaixador e morou em vários países, inclusive no Brasil. Depois de adulto seguiu a carreira do pai. Ser embaixador talvez seja a posição mais confortável e útil para um
escritor. Fuentes soube usufruir muito bem. O FBI o considerava subversivo por pertencer ao partido comunista e ser amigo de Fidel Castro. O monitorou por vinte anos. Alguns de seus livros parecem mais como um dossiê de denúncia ao avanço de grupos que tinham interesse em tomar o poder no México. Cresceu nos Estados Unidos, estudou lá e deu aula em Harvard. Fuentes, não se considerava antiamericano como queriam lhe rotular. Morreu em 2012.

Alguns de seus livros foram adaptados para o cinema.

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