De Homero a Foster Wallace, o mundo sempre foi iluminado, mas os heróis de Homero preferiam morrer lutando até o fim enquanto os heróis de hoje preferem matar-se. Matar-se, os eleva ao ápice do sucesso não conseguido em vida. Aliás tenho lido alguns autores que abandonaram a vida. Não sei se por acaso ou coincidência. Não foi de propósito, apenas sucederam-se no caminho. Esse tema, o suicídio, me interessa e já foi um objeto de pesquisa quando estudava literatura. Fiz um estudo do tema na obra do poeta italiano Leopardi. Outro que tentou suicidar-se, mas acabou morrendo de gripe espanhola.
Esse livro traduzido ao português como Um Mundo Iluminado analisa alguns autores desde os gregos até Foster Wallace. Como a moral e religião eram tratadas em diferentes épocas. E como a religião foi perdendo terreno até chegar ao "Deus está morto" de Nietzsche. Como sobreviver sem Deus.
Foster Wallace ganha uma longa análise que parte da sua genialidade ou criatividade às dificuldades psíquicas. Ele sofria de depressão desde a adolescencia e sempre viveu tomando remédios para não surtar. Depois de duas tentativas de suicídio, a última deu certo. Produziu muito mesmo nesse estado psíquico e talvez por isso mesmo.
Os autores dedicam seu maior capitulo a Foster Wallace, mas também falam de niilismo de Nietzsche, da obsessão diabólica do capitão Ahab, dai porque a balaia na capa, a baleia de Moby Dick. O capitão Ahab pode ser um herói para os seus pares, mas para nós ele bem que é um ser vingativo e capaz de qualquer coisa para pegar aquela baleia. Ele não quer qualquer uma. Ele quer Moby Dick, só porque ela abocanhou sua perna. Ele, na sua insanidade acha que a baleia sabe o que fez e que ela o persegue. A perseguição do capitão Ahab à Moby Dick, para os autores, beira ao fanatismo. Já o narrador Ishmael e o índio Queequeg professam o paganismo.
A questão do fanatismo também aparece na comparação de qual sistema teísta teria sido melhor. O politeísmo com um deus para cada necessidade proveu ser menos problemático. Já o monoteísmo com um deus central tende ao fanatismo já que cada religião buscará defender o seu deus como sendo o melhor.
O budismo é apenas citado rapidamente. Não cabe na análise pois não há uma obra literária a qual eles poderiam relacionar e nem a noção de deus.
Buscar nos clássicos sentido para o nosso tempo é um tópico recorrente. Chafurdar no passado tentando entender o presente. Mas olhar o presente sem referências deve ser mais difícil por isso o argumento dos autores é fraco e cansativo. Coisa de curso universitário que virou livro. Como leitura é divertido. Pelo menos para quem já leu os autores citados.
"Um deus que, na terminologia de Homero, é um estado de espírito que nos sintoniza com o que mais importa em uma situação, o que nos permite responder de forma adequada, sem pensar."
"Excelência no sentido grego não envolve nem a noção cristã de humildade e de amor, nem o ideal romano de adesão estóica de seu dever. Em vez disso, a excelência no mundo homérico depende crucialmente de um sentimento de gratidão e admiração."
Não tenho como situar as páginas das citações pois meu livro é um ebook e nesse caso a paginação não é fixa.
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