Camille e Rodin no Masp
"Camille esculpia poemas no mármore, meu amigo." Assim começa a peça. Entre o passado no ateliê de Rodin e presente abandono de Camille no sanatório. A peça é acompanhada por um quinteto de cordas e um piano de cauda. Boa intervenção que parece não foi usado em todas as apresentações anteriores. Achei muito parecido com o filme Camille Clodel. também achei muito histérico com boa parte das falas no grito. Isso me incomodou um pouco. O cenário e bem simples e o jogo luzes idem, mas atende a marcação da peça. Talvez minimalista demais para uns e apenas simplificada para outros.
O casal de atores não convence como casal e como artistas representando artistas. Rodin possivelmente teria uma pança avantajada e Camille seria mais forte no começo e mais frágil depois que seu estado depressivo se acentuar.
Um grupo de atores jovens na sua maioria encena uma versão da Odisseia nos dias atuais. O narrador parece mais com Macunaíma celebrando e conduzindo orgias palacianas. Odisseu ou Ulisses depois de aprontar com o golpe do Cavalo de Troia foge para a América Central e se engaja em guerrilhas por lá. Filho quando cansa da vida vazia na cobertura da mãe Penélope resolve se mandar, dar um tempo, procurar pelo pai, mas acaba na cracolândia. É lá que Ulisses o encontra e ambos voltam para casa juntos, mas Penélope não o quer mais, pois a vida de ambos mudou muito. A peça transcorre entre desfiles de ninfas nus, festas onde rolam simulação de sexo em cena. Canções ao piano. Por duas horas quase infindáveis sentado sob um banco de metro sem encosto, um espaço sem ventilação e sem climatização. Os atores e atrizes pingam suor e os espectadores idem. Talvez um corte aqui e acolá naquelas cenas repetitivas ajudasse e não seria nenhum prejuízo ao todo
Quase todas as garotas em cena tiram a roupa e somente Odisseu mostra a bunda. Fiquei matutando que são sempre as mulheres que se expoem mais. Por que o diretor é homem, machista ou gay? Sei lá.
A peça não me acrescentou nada e isso é grave. Pelo menos para mim. Nem diversão, nem reflexão, nem insight....
Por ser aniversário do grupo teatral eles não cobraram no dia que fui. Se tivesse pago teria saído com a sensação de ter feito uma má escolha, mas por outro lado ver estas tentativas de trazer um texto clássico à luz da modernidade corre esse risco de dar certo ou não. Se fosse pelo viés comédia ou do circo poderia ter outro resultado?
O Príncipe da Dinamarca-Infantil-Cia Vaga Lume Tum Tum- Teatro da Livraria Cultura.
As crianças e os adultos riram muito com essa versão de Hamlet. A peça começa no cemitério, pois todos os personagens importantes estão mortos: Hamlet, Ofélia, o pai de Hamlet, Polônio, Claudio , Orestes, O Ser e o Não Ser (Os coveiros). Num ritmo que mistura a linguagem circense, dança, canto e música, a tragédia vira comédia.
O suicídio de Ofélia foi mostrado de forma lúdica e bonita, mas uma criança atrás de mim sussurrou antes de evento acontecer: "Ela vai morrer." Esses pais que contam a história com medo que os pequenos não a entendam. Talvez esse detalhe tenha melindrado muitos país e eles evitaram trazer seus filhos para a peça. Perderam o melhor Hamlet que vi. Tudo bem foi o primeiro e o primeiro deve ser especial.
Pretendia ver o outro Hamlet em exibição na cidade. Também uma versão modificada da versão tradicional. Mas a escolha pela versão infantil se mostrou acertada.
A companhia Vagalumem Tum Tumtem experiência nesse tipo de versão. Já adaptou outros Shakespeares.
Linda interpretação do Instituto Brincante. Circo, humor, música, dança, palhaçadas e uma bem estruturada sequência de cenas. A peça é gratuita e muito boa. Uma das melhores dentre as que vi.
São mostradas interpretações da Tenda dos Milagres, Dona Flor e seus Dois Maridos, e outras.
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