The only real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes, but in having new eyes. Marcel Proust


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Livro: O Último Vila-Matas?

Já havia dito anteriormente que não leria mais Enrique Vila-Matas. Mas como suspeitava, havia lido livros que não me deixaram convencida de que "mais do mesmo" seria o mesmo ou algo diferente. Eis que o diferente existe, e deve existir outros títulos com mais, ou menos, do mesmo. A Viagem Vertical. Surpreendido pelo pedido de sua esposa, o septuagenário Frederico Mayol, parece não crer no que ouve. Sua companheira depois de décadas aturando-o, decide que é ora da empregada doméstica (ela) finalmente ter férias do marido déspota e ter vida própria, a vida que lhe resta. O marido insiste que ela deve estar louca, porque a essa altura da vida separar-se? Mas ela não quer mais ver Mayol pela frente Aturdido pelo pedido, ele, perambula pelas ruas de Barcelona, visita seus filhos, bares, o cemitério e anda pela chuva. Teima em manter seu status de senhor de tudo, até decidir ir para o Porto. Do Porto logo se aborrece e parte para Lisboa e depois para a Ilha da Madeira. termina afundando cada vez mais em si mesmo. Seu grande trauma é ser inculto, não ter lido, não ter estudado. A teimosia dos que crescem e envelhecem teimosos, sofrendo e fazendo os seus sofrerem parece ser o mote da narrativa. A temática da velhice e seus inconvenientes e ou atrativos parece ser um tema presente em todos os livros do autor, pelo menos nos que li, foi o que notei de semelhante. A Viagem Vertical se faz sempre para o sul. Quando Mayol se encontra sem saída ele simplesmente desaparece e a narrativa precisa ser concluída pelo autor, um amigo de seu sobrinho que gravara todas as peripécias de Mayol desde que saiu de barcelona em busca de um recomeço.

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