Quem já jogou Doom tem uma ideia de como manejar armas. Vários modelos de armas aparecem nos diversos níveis. Inclusive o tranco após os disparos. Eu mesma já joguei Doom há muito tempo atrás, quando o jogo estava na sua versão inicial. Mesmo não tendo acesso ao jogo, ele estava presente nos computadores da universidade baixados por alguém que os usava. Na época se discutia se esse jogo não ensinava as pessoas que o utilizavam a ter uma intimidade ainda que virtual com armas. Passar do jogo para a realidade poderia acontecer ou não. Mas entre ver a arma num jogo e tê-la em mãos e treinar tiros com ela vai uma grande distância.
Nunca devemos subestimar a mente de ninguém. Nem super estimar. A mente humana é um agregado de forças muito complexas que interagem entre si. Muitas vezes em regime de conflito. Algo como polo positivo com polo negativo medindo força. A capacidade de viajar na maionese é ilimitada assim como de sair da realidade e viajar numa fantasia obsessiva depressiva.
Cada vez mais vivemos uma síndrome do "sim". Então quando a criança é reprimida ou houve não ou tem suas desejos não satisfeitos rapidamente ela tem uma reação de agressão muito rápida que pode ser contida ou não. Pais egoístas cultivam cada vez mais filhos egoístas.
Pode ser que para alguns seja inaceitável que uma criança promova uma matança premeditada e que diga a muitas pessoas que irá fazer e que o fez. Não acreditar em coisas absurdas é uma tendência que temos. Tomar na brincadeira, rir, fazer pouco e até instigar a pessoa a dar provas de que fará o que diz é comum.
Nós acreditamos que a humanidade é boa por regra. E ela é. A quantidade de pessoas que fazem coisas atrozes ainda que a repercussão na mídia seja grande é muito pequena. A quantidade de pessoas que roubam ou matam, mesmo que tenhamos a sensação de que estamos cercados por todos os lados por bandidos, é muito pequena. Não houvessem amplificadores como rádio e tv nós não chegaríamos a ter essa sensação tão poderosa.
Os jogos devem ser vistos com cuidado e muito bem analisados. Deixar uma criança, jovem adolescente jogando sem supervisão e sem indagar como veem o jogo pode ser uma atitude de desleixo.
Na nossa família não tenho visto os mais novos e os que já foram mais novos tendo interesse por esses jogos. O menino mais novo, de treze anos, que temos, sequer tem acesso a internet.
Acho que um jogo por si só não produz efeitos tão danosos mas um jogo associado a uma iniciativa ou a um conjunto de causas como depressão, manias, fanatismo, tristeza, bullyng, estar exposto a um ambiente opressor, de sofrimento, que envergonhe ou faça a pessoa querer cessar o que vê ou sente pode sim dar ideias ao usuário de ações que poderiam ser implementadas na realidade.
Não adianta discutir o que poderia ter acontecido ou não. Não há como prever o que se passa na cabeça das pessoas.
Às vezes minha mãe diz que vai se matar. Eu sei que não é verdade, mas também sei que pode ser verdade.
Eu nunca levei esse tipo de afirmativa na brincadeira e fico atenta a mudanças de humor e comportamento. Pelo sim pelo não prefiro ficar atenta que me enganar.
Mas há pessoas que não dizem nada. Que não demonstram nada. Que remoem sentimentos e constroem vinganças na sua mente silenciosamente e executam ou não o que planejaram.
Quando dizemos que isso não é possível estamos dizendo que não temos nada igual para comparar. Nos falta um chão onde pisar. Não temos a referencia de casos anteriores para nos apoiar. Infelizmente essa sensação não durará por muito tempo.
Cada indivíduo próximo ou não por mais amado que seja é um perigo em potencial. Cabe a cada um estar atento a si mesmo e aos demais. Posto que nós também somos um perigo a nós mesmos e aos demais.
O jogo por si só não muda a personalidade, mas pode dar ideias. Pode entrar na fantasia da criança. Na fantasia tudo pode acontecer e a noção de bem ou mal pode não ser percebida de forma saudável.
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