Narrado por K.,amigo da personagem central, que se chama Sumire. Ela conhece uma coreana casada que foi pianista, mas depois de um evento no passado desiste da careira e assume o negócio do pai. Sumire deixa a escola para trabalhar meio período e o resto do tempo tenta escrever. Sumire conhece Miu no casamento de um primo seu. Miu a convida para ser sua secretária. Sumire nutre por Miu um encantamento que a deixa confusa. Por ela deixa de fumar e se empenha no trabalho estudando italiano e inglês, essencial no negócio administrado por Miu: vinhos.
Miu leva Sumire a uma viagem de negócios pela Itália e França. Elas encontram um inglês que oferece à Miu um chalé numa ilha na Grécia. Resolvem passar duas semanas lá. Sumire não resiste ao seu encantamento por Miu e em uma noite após mais um dos seus pesadelos recorrentes com a mãe, ela aborda Miu em seu quarto. Após esse encontro desastrado Sumire some sem dar nenhuma pista. Supostamente ainda vive em um mundo paralelo.
A história se arrasta sem graça pois depois que Sumire desaparece não há mais história a ser contada. Sem a protagonista outras histórias precisam ser desengavetadas. Sumir (e) com a protagonista no meio da história é sempre um risco de esvazia-la. Mas o autor tenta nos manter a esperança de que Sumire irá aparecer ou pelo menos queremos saber o que aconteceu, os porquês. Mas Sumire não aparece, pelo menos não fisicamente. Por acaso K. decide ligar para o apartamento de Sumire e depois de um breve silêncio ela atende, mas ela não está lá. Sim, ela está num mundo não acessível.
Parece que K. voltará a se comunicar com ela apenas pelo telefone. Supondo que a história continuasse.
Murakami gosta de lançar mão do fantástico para não discutir questões que talvez na cultura japonesa seria vergonhoso discutir como: estupro, homossexualismo, relações extra conjugas, suicídio. Então algum fato fenomenal e sem explicação acontece, como alguém que está aqui em um outro lugar ao mesmo tempo vendo-se fazer coisas que não faria ou da maneira que não faria. Ou em um universo paralelo. Ou coisas estranhas caem do céu.
Seus personagens são sempre inseridos profundamente na cultura ocidental. Gostam de música que vai dos clássicos a Beatles, além de autores como Jack Kerouac. Dando a impressão que nem são japoneses, mas que apenas estão ali naquele país por acaso, como se o Japão fosse mais um país fantástico e inexistente. Tudo bem eu também gosto de tudo isso e vivo no Brasil, nada me obriga a gostar somente de autores brasileiros ou de música brasileira.
O Japão também foi colonizado pós-guerra pelos americanos. A Constituição japonesa foi copiada da americana. Então não há nenhuma estranheza nessa ocidentalização do Japão. A menos que seja uma crítica de Murakami, o que ´duvido pois ele também viveu e vive imerso na cultura ocidental.
Essa certamente não é melhor das histórias de Murakami. É o terceiro livro dele que leio e tenho mais uns três livros para ler.
Por certo há outros aspectos na narrativa de Murakami que se repetem. Após ler mais alguns livros dele ficarei sabendo.
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