Não sou fã de livros sobre o Holocausto e já vi filmes suficientes sobre o tema, mas esse diária chamou-me a atenção por ter sido escrito por Helga quando tinha entre 13-15 anos. Período em que ficou no campo de Terezín, um posto de espera para quem depois seria transferido para os outros campos ou de trabalho ou de extermínio. No campo de Terezín (campo de trabalho) gozava-se de relativo "conforto". Era praticamente uma cidade maquiada para parecer que os judeus estavam apenas privados do convívio com os não-judeus, mas era só para manter as aparências, fazer propaganda falsa para os que não sabiam o que estava acontecendo nos campos de extermínio e para mostrar em determinados momentos a comunidade internacional que os boatos de campos de extermínio não procediam. Assim quando havia alguma vistoria da Cruz Vermelha eles mudavam tudo rapidamente dando uma ar de colônia de férias.
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A família de Helga: pai e mãe ficou em Terezín por mais de dois anos. O pai foi levado primeiro e nunca mais se soube dele. Helga e a mãe conseguiram ficar juntas até o fim da guerra. Para sobreviver era necessário lançar mão de muitas estratégias. Não ficar doente, trabalhar e desviar muitas coisas principalmente comida que era escassa. Helga e a mãe chegaram a ir para o temido campo de Auschwitz Quem era enviado para a fila da esquerda ia direto para a câmara de gás e quem ia para esquerda passava por todo tipo de tortura até adoecer e poder ir para o gás. No início era só uma dolorosa espera, mas como a guerra já estava no fim Helga e a mãe foram levadas de volta à Tchecoslováquia para outro campo de trabalho depois para outro campo de extermínio e de lá foram resgatadas pela Cruz Vermelha.
Quando Helga soube que seria transferida de Terezín deixou seus diários com um tio que os escondeu em uma parede e depois foram recuperados. Muita coisa foi reescrita e reordenada após anos do ocorrido.A linguagem infantil também foi editada.
Helga não só relatava o que ocorria como desenhava. O livro mostra os desenhos e também traz uma entrevista com Helga que ainda vive em Praga. Ela estudou artes plásticas após a guerra, mas não teve muita sorte, depois de alguns anos de paz veio a Cortina de Ferro deixando a Tchecoslováquia o Leste Europeu novamente sob um regime totalitário com muitas restrições de liberdade e perseguições e vigilância constante.
Ocorreu-me que ainda não havia lido o Diária de Anne Frank. Este muito diferente do diário de Helga. Anne ficou escondida em um anexo de uma casa comercial. Embora tendo que conviver com outras pessoas num BBB familiar de mais de três anos, não passou fome, não frio, nem foi torturada psicologicamente. Teve até certa fartura, mas era de família rica que podia pagar para ser ocultada até que findasse a Guerra e vivia na Holanda, onde grande apenas uma pequena parte da população era sectorista e a grande maioria protegeu e ajudou os judeus. Todavia faltando poucos meses para o fim da guerra foram denunciados e Anne morreu em campo de extermínio. Só sobrou o pai dos oito que se escondiam.
Não seria certo dizer que Helga teve mais sorte e sim, que talvez, foi mais esperta. Teve mais tempo para treinar-se.
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