Lembrei-me de Kafka e seu O Processo, alguma semelhança? Vamos ver. Puxei o Processo e ah, que delicia de ler. Muito melhor que o estilo processual do Graciliano, e ele nem foi juiz. Vamos ver, vamos ver. Estou curiosa para saber se O Processo procede no Cárcere. Memórias escritas pós cárcere seriam mais duras e raivosas que escritas muitos anos depois. Assim soam mais como queixas. De qualquer forma jamais será o que de fato foi escrito. A censura ainda vigorava e talvez se a família tivesse guardado os manuscritos e publicado hoje teríamos outro resultado. Mas tenho que esperar a leitura dos dois volumes para saber o que vem neles. Ainda quero ler Angústia e São Bernardo. Também quero ler mais Kafka.
Também procurei por Grande Sertão Veredas que já havia lido em italiano. Lerei em português. Parece soar melhor agora. Meu ouvido mudou. Sim, eu leio de ouvido.
Já posso dizer que Kafka supera Graciliano ou pelo menos Max Brod fez uma edição melhor que o próprio Kafka faria, já que O Processo foi publicado postumamente.
Graciliano, como ele mesmo dizia não se cansava de editar seus livros, mas tirava tanto que só ficava repetição. Memórias do Cárcere cansa e não entrega nada. Culpa de Graciliano? Por certo não. Obra também póstuma sofreu na mão de algum editor menos talentoso que Max Brod. De resto também sofreu sansões. Se tudo ali fosse publicado alguém teria problemas. E tem escritor que não gosta de editor. Nesses dois exemplos vê-se a diferença para o bem ou para o mal.
Com muito custo terminei de ler Memórias do Cárcere, vol. 1. Há poucos fatos interessantes e muita repetição. Mas o livro não tem nada a ver com O Processo como cogitei acima. Talvez tenha mais a ver com o holocausto. Pelo menos os métodos se aproximam de um campo de concentração, torturas e tudo mais, que não aparece no vol. 1 e não sei se aparecerá no segundo.
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