Coisas estranhas acontecem no caminho. Coisas que nem dá pra contar. Já encontrei com um andarilho que resolveu fazer o caminho. Ele se diz poeta e humanista. Fala mais que a boca e assusta as pessoas com sua aparência. Não dorme em pousadas ou hoteis. Dorme em posto de gasolina, na estrada ou onde deixarem ele dormir. Não é propriamente um mendigo. Ele tem todo um esquema de troca. Chega nos lugares se oferecendo para dar palestras em troca de alguma coisa. Oferece poesias e recita também. Andei com ele dois dias e depois que parei um dia não o encontrei de novo, mas em todos lugares que passo ouço falar dele.
Nos últimos dias tenho caminhado com dois pernambucanos. Também falam muito mas são divertidos.
Ontem em Consolação-MG tomamos vinho num boteco de vila. O dono do bar não tinha saca-rolhas e foi uma novela para abrir aquela garrafa. Comemos um queijo de nó delicioso.
Hoje foi um dia "desumano" no caminho. Foram sete horas de descidas e subidas sob chuva fria. Chorei de dor nos pés. E chorei quando descobri que a água do chuveiro estava fria. Ainda estou com frio. Estamos no sul de Minas.
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