Num mundo globalizado pelo "Made in China", o Rio tem coisas legais que você não encontra em nenhum outro lugar do mundo.
Tem botecos "pé sujo" pra dar e vender. São tantos que nem daria pra contar. A herança da colonização portuguesa ainda predomina. Basta passar os olhos pelas confeitarias e padarias: tudo tem ovo em tudo.
O carioca é eminentemente português e afro-descendente.
Os mendigos na rua mais lembram os tempos pós-escravatura. Até os sem teto são simpáticos no Rio. Eles não te pedem uns trocados. Te pedem um Tang para fazer um refresco.
A arquitetura é francesa, principalmente no centro da cidade e portuguesa nos bairros. Ainda há mais casas que prédios. O que dá ao Rio um ar de velho cansado. Se tudo fosse revitalizado como em Santa Teresa, que maravilha!
A arquitetura francesa vem da época em que o Rio queria ser Paris a "Belle Époque".
O parisiense que vem ao Rio deve se sentir em casa, com a vantagem de ter sua "Paris" tropical cercada de morros, uma floresta , lagoas, mangues e muito, muito mar por todos os lados.
A periferia, pobre e super povoada te faz pensar que doido iria querer administrar uma cidade assim. Os contrastes entre o que Rio tem de bom e o que não tem para oferecer aos excluídos é gritante. Nem precisa fazer um daqueles tours de gringo pela favela. Basta cruzar a Linha Vermelha, um dos acessos à cidade. A Zona Sul também está superpovoada. A demanda de espaço faz a cidade crescer desordenadamente. Faz a cidade ficar sem saídas e abraçar a primeira mão que se lhe estendem, mesmo que seja uma mão ruim.
Mas esse problema até a Paris francesa já conhece.
No Rio em qualquer lugar que você vá, tomar um chopinho é lei. Não é deselegante ir a um lugar elegante e ao invés de pedir vinho francês, pedir chop. O chop é outra instituição carioca. Um bom lugar para inaugurar essa instituição é o Bar Garota de Ipanema na Rua Vinicius de Morais, ou qualquer dos inúmeros bares e botecos. Não espere ser servido por algum garçom chamado Tom ou Vinicius. A maioria dos garçons e obreiros da cidade vieram em levas sucessivas do nordeste do país.
A Zona Sul é com certeza mais charmosa que a Zona Norte e outras zonas (não tive a oportunidade de conhecer todas elas). Desde que você olhe onde pisa. É ali entre Copacabana e Ipanema que você vai encontrar a maior concentração de aposentados e seus fiéis cãozinhos. Eles transformaram Copacabana na Miami brasileira.
Se for ao Rio no quente do verão ou no Carnaval, prepare o bolso, pois o Rio é uma das cidades mais caras que já estive. Chega a ser mais cara que N.Y. A tentação à gastança é farta, portanto é preciso planejar bem sua ida ao Rio para não ficar sem dinheiro já nos primeiros dias e ter que voltar de mãos abanando ou mal dizendo a cidade por que você não soube antevê-la.
O que mais choca o turista no Rio, não é nem a violência, que eu tive sorte de não ver ou ser vítima, mas como a cidade se vende aos turistas estrangeiros. A prostituição corre solta e faz o Rio menos belo aos olhos de quem se importa com o que a cidade vende. Mas a azaração também corre solta. O Rio é muito sensual. O verão é sensual. A praia, o calor, o chop, fartura de lindas mulheres deixam os hormônios borbulhando. Não se pode esperar que alguém não tire proveito disto, seja lá de uma forma saudável ou doente.
Um dos sites que pesquisei para fazer minha programação: Guia da Semana, pode ajudar. Mas qualquer decisão súbita corre risco de gerar frustração. Com sorte pode ser uma escolha perfeita. A intenet astá ai para ajudar. Até dá para checar endereços antes de chegar neles. Ainda quero ir ao Rio na primavera ou no inverno.
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