No palco, entre a banda e a platéia, três universos distintos. Eles só se aproximam na hora do bis. A cantora vem para a borda do palco e toca timidamente um dos universos.
O público timidamente se aproxima do palco, busca intimidade, quer mais, mas há limites. O palco está acima da platéia. Os músicos são apresentados, mas ainda estão atrás do cantor e logo serão esquecidos. São os tocadores de instrumentos, sua função acaba quando silenciam. Há interação da platéia, mas nada estérico. Coisa normal, de gente comportada. Alguns se abrem e se entregam outros mantem-se reservados, satisfeitos ao próposito da troca, não querem levar mais que o momento consigo. Outros, não o querem, deixam-no, pois já passou. O que fica? A volátil emoção. Nenhuma ilusão. Os instrumentistas também tem a sua deixa. A interação da cantora se resume a agradecer. E pode ter coisa melhor que agradecer.
Marina corre pela borda, enquanto canta o segundo bis. É o momento de estender a mão e tentar tocar o universo que nos separa. O momento de olhar nos olhos negros?, castanhos? De clicar de perto, mesmo sendo proibido por lei. Mas tinha que acabar a bateria da câmara fotográfica?
Esquece. O momento é mais importante. Entregar-se ao momento, é mais importante que aprisioná-lo em pixels.
Será que as luzes se acenderam? Pelo menos para Marina o globo desceu e ela pode dançar em uma discoteca só para ela, deixando a platéia louca de vontade de invadir o palco.
Quem sabe no último show da temporada, na hora do bis, os globos desçam e Marina convide a platéia para dançar no palco. Os três universos, então, poderiam ensaiar se misturar por alguns instantes. Afinal, só existe um Universo, nossa mente é que os separa por medo da fusão. Será que há ousadia suficiente para atravessar o medo?
Feliz de quem estiver lá para ver.
Nota final. Vá lá ver e sentir por conta própria. Porque cada um vê e sente do seu jeito.
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