O enredo trata de uma família composta por Kaname e Misako casados há 8 anos com um filho, Hiroshi. Um casamento ao que parece, arranjado. Após o nascimento do filho, Kaname não quer mais se relacionar com a esposa e a rejeita. Ela fica muito triste, mas depois de um tempo conhece Aso com quem passa a ter um relacionamento. Tudo com o consentimento do marido.
Passam-se os anos e Misako pressiona o marido para que peça o divorcio, assim ela poderá se casar com o amante. Mas Kaname teme que o sogro não aceite, pois ele precisa autorizar o divórcio. Ele propõe a esposa que vivam juntos, como um casal, para evitar falatórios e para poupar o menino de uma separação. Ele propõe um acordo onde Misako e Aso, depois de dois anos devem decidir se vão se casar. Havendo esse compromisso ele irá oficializar a separação e eles ficarão livres para se casar. Caso não dê certo, ele se dispõe acolher Misako de volta na casa. Ele também tem uma amante e frequenta um bordel.
Longas páginas são dedicadas ao sogro. Um senhor de mais de 50 anos apaixonado pelo teatro de bonecos. O tradicional Bunkaru-Jôruri.
Ele vai aos teatros e percorre o país com sua jovem concubina para assistir às apresentações e festivais. Os bonecos tem a cabeça de madeira e um fenda horizontal na parte de trás por onde o bonequeiro põe a mão e os manipula. A história encenada é melodramática e em versos. O bonequeiro a canta acompanhado de instrumentos tradicionais, como: Kôto e Shamisen. Este é o elemento tradicional que intercala a narrativa.
Kaname participa de uma viagem com o sogro para ver os bonecos e se afeiçoa a eles. Ao voltar para casa ele escreve ao sogro solicitando a separação, mas o sogro resiste e acha que pode convence-los a mudar de ideia. A narrativa acaba sem que se saiba se a intervenção dele deu certo.
Muitas pessoas reclamam da verosimilhança nas histórias de Tanizaki. Que um marido levar uma relação de aparências e ainda por cima permitir que a esposa tenha um amante e ser amigo do cara parece pouco provável. Pode ser que na cultura ocidental seja mais raro de acontecer, mas não teria como dizer na cultura do Japão porque não conheço o ambiente familiar deles. Não há menção de que ano a história se passa. Pelo que pesquisei seria década de 20.
Para mim o mais interessante foi o tema dos bonecos.
Outro aspecto que o leitor costuma pontuar é a presença de temas relacionados ao voyeurismo ou descrições de sexo. Nessa história não há. Mas é comum esse tema nos autores japoneses. Imagino que seja pelo fato de essas histórias terem como destino final o leitor masculino. Ao contrario dos romances europeus e russos, onde o público dos folhetins era predominantemente as mulheres. No Japão provavelmente as mulheres não liam folhetins ou romances desse tipo.
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