The only real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes, but in having new eyes. Marcel Proust


sábado, 13 de agosto de 2016

EBook-Descobri que estava morto

Resultado de imagem para j p cuencaJ.P Cuenca costuma dizer que os blogs que escrevem ou fazem vídeos sobre livros o odeiam. Não acho uma leitura coerente. Talvez seja ao contrário. Ou ele não suporta críticas.

Mas veja bem, Cuenca escreve sobre si mesmo. É algo que tomou conta da maioria dos escritos no pós modernismo. É uma enxurrada de textos memorialistas ou memória disfarçada de ficção. Cansa. Se fosse só ele a escrever assim seria tolerável, mas todos os novos escritores começam por ai. E depois não sabem como continuar. Então, se conquistam algum sucesso ou tem facilidades em publicar-se, traduzir-se seguem nesse caminho do disfarce ou da tramoia. Não que eu tenha saudades de Machado de Assis que também tem lá suas chatines. Por um momento, quando Cuenca se volta para descrever e dissertar sobre o Rio, até lembra um pouco Machado. 

Em seu mais recente livro Descobri que estava morto, ele ensaia uma história cujo tema tinha tudo para dar certo, mas quando se dedica a descrever o que ele diz que de fato aconteceu com ele, não convence. Antes ele tivesse inventado uma outra história a partir do que aconteceu ou friccionado mais. Mas a história estava pronta. Bingo! Fácil, fácil. Ai é que mora o perigo de se enganar por excesso de confiança no seu taco. Acho que falta um bom desafio a Cuenca. Mas isso é com ele e se ele decidir ficar nessa zona de conforto haverá um público para ler mais dele. Ou ele chegará a velhice como Elizabeth Costello fazendo palestras pelo mundo em cruzeiros para aposentados. Acho que não seria nada mal já que ele parece gostar de perambular pelo mundo falando de livros. E ganha mais que escrever. Embora seja algo que não se espere de um autor novo e sim dos que beiram a aposentadoria ou não escrevem mais e vivem do que já escreveram. 

A história é rápida e de fácil leitura. Acho que em duas horas se lê sem mais delongas. Nada a refletir pois os fatos são bem familiares. 

Ele também roteirizou o próprio livro e fez o próprio personagem. Sendo assim pode-se optar por ler o livro ou ver o filme. Ou ambos. Suspeito que o filme me agradaria mais. 

Ah, eu não odeio nenhum escritor. (Caso o autor venha a ler esse post) Nem sou blogueira paga para comentar livros. Não gosto de criticar escritores porque também o sou, mas enquanto leitora o produto livro é meu e dele faço o que quero. Minhas percepções são minhas: erradas ou não. Elas não são pétreas. Podem mudar. Mas não acho que voltarei a ler o mesmo livro. É raro isso acontecer.

"É que tudo se acha fora...leitor amigo. Assim preecho as lacunas alheias. Assim também podem preencher as minhas." Machado de Assis em Dom Casmurro

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